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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

  Há um grilo entalado na cinza da lareira - está, obviamente, rouco; e bêbado e triste, e lamenta as escolhas que o levaram a esconder-se sob um monte de pó numa noite de domingo. Na vida de um grilo, uma noite é mais do que uma simples noite. Os grilos, aprendo eu, numa rápida visita às enciclopédias, expiram em quatro a seis meses. «E tu, que fizeste nos últimos quatro meses?» Pensei nos grilos. «Seis meses?» Pensei no barulho crocante das carapaças esmigalhadas. Num dia, tinha sal na pele; no outro, não sabia se chovia ou se chorava. Mas seguia o som dos grilos. Caminhava pelas avenidas e virava nos becos onde sentisse que o som se dobrava, em fuga. Queria muito vê-los; queria muito que eles soubessem o que é arder no caos dos seus chamamentos. É como arder de dentro para fora. «E agora?» Agora está tudo bem. Acendalhas, fósforos, zinho, o inverno a chegar ao fim.