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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

   Já nem percebo as minhas notas. Escrevi Boa sorte, Joana* no meio de uma página e sublinhei a frase com três linhas tortas. Apontei a data: vinte e quatro de fevereiro; isso foi há duas vidas atrás, é informação que não serve para nada. Não sei quem é aquela Joana ou porque motivo lhe desejei boa sorte; terei sequer falado com ela? O mistério continua na página seguinte, que começa com as frases: Eu interagi. Eu interajo. Não estão sublinhadas, mas nelas a minha letra engordou consideravelmente, talvez por urgência; ou por ter bebido, ou por ter conseguido desejar boa sorte à Joana fora das páginas do meu caderno - daí a ordem: algo que eu fiz, depois de feito, transforma-se em algo que eu faço. Mas a melhor frase do caderno, que pode muito bem ser a melhor frase que alguma vez escrevi, nem tem nada a ver com isto. É de dia vinte e sete de março e sucede a um conjunto de parêntesis cheios de sacanice. Ele envelhece muito quando acorda. Disto lembro-me eu porque, na verdade, todos envelhecemos muito quando acordamos: ele, eu, e muito provavelmente a Joana.

 

*Acabei de me lembrar: a frase foi-me dita, a boa sorte era para mim. Alguém achou que eu me chamava Joana.

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