Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

   Hoje tentei correr pela subida dos bombeiros acima, mas era tanto o vento que me arderam lágrimas bochecha abaixo. Misturadas com o protetor solar, pareciam feitas de cera; como se eu fosse a figura religiosa de aldeia cuja decadência se confunde com um milagre. As rajadas empurravam-me para trás, de volta ao rio; os patos não me haviam de querer lá. Eu venho do lugar mais alto, acabaria presa na corrente, a olhar para cima. Por isso, continuei a subir; imaginei-me a subir até ao ponto em que fosse capaz de dizer qual a verdadeira cor do Sol*. Mas depois voltei para a minha rua. Cheguei cansada e cuspi nas papoilas.

 

   Entretanto, a minha mãe comprou um abacate. Já passaram algumas horas desde que o descobri na mesa da cozinha, e continuo sem saber o que fazer com um abacate, oito garrafas de Schweppes e esta angústia existencial. Saberia o que fazer se o abacate não existisse; mas havia censura nos movimentos fantasmagóricos do plástico que o envolvia quando nos vimos pela primeira vez. Parece que o abacate sabe tudo o que eu não quero saber sobre mim mesma. Os unicórnios morreram, diz ele.

 

*o Sol é branco.