Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

   Na outra ponta da sala sentam-se duas raparigas. Uma delas fala como se estivesse a chorar; assim que a ouvi, levantei a cabeça para ter a certeza que não perderia o happening depressivo (ninguém aqui chora de alegria), mas os ruídos estrangulados com que vai fazendo perguntas à amiga não vêm acompanhados de qualquer contorção facial, soluços ou lágrimas. Aliás, a expressão da rapariga é completamente vazia; como os agudos são tão desafinados, não consigo perceber o que ela diz, nem qual é o seu estado de espírito. Se as circunstâncias cedessem àquela estranha voz e ela rebentasse num pranto desesperado, eu podia ignorá-la em paz. Também gostava de ignorar os estrondos que vou ouvindo atrás de mim. Acho que alguém está a pontapear uma bola contra a parede sem se importar com quem está do outro lado. (Sou eu, eu estou do outro lado da parede.) Os sons estão a dar comigo em doida, mal consigo pensar; quando o faço, rememoro o mesmo episódio, ad nauseam; ou então, surgem ideias estranhas, como fazer uma tatuagem. É, talvez eu faça uma tatuagem. Não sei. Ando um bocado confusa.

3 comentários

Comentar post