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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

   «Rezo sempre para que as pessoas não se reconheçam nas palavras dos outros», murmurou Miss Adele. «E não creio que isso aconteça muita vez.»

 

— A Filha do Optimista*, Eudora Welty (tradução de Margarida Periquito).

*a edição é anterior ao acordo.

 

   Todos sabemos que me ando a portar terrivelmente mal com as reviews: tenho 13, brevemente 14, em atraso. Claro que também sabemos que ninguém se importa com isso além de mim, que gosto muito de me ler, da mesma forma que gostaria muito de me ouvir falar, pena é ter uma voz tão pouco melódica e que se entaramela ao mínimo alvoroço. Mas isto é só mais um pormenor; eis onde queria chegar: sentei-me no lado errado do autocarro - tonta que sou, nem sei de que lado o sol nasce -, tentando concentrar-me na leitura. Pouca gente grita em agosto: os parques de estacionamento estão meio vazios e os transportes públicos transformam-se num bom sítio para ler. Ninguém me espremia contra a janela, pude cruzar a perna e segurar o livro de asas abertas. Estava assim, fidalga, quando bati com os olhos na passagem transcrita acima. Não resisti a sublinhá-la (primeiro) e a transcrevê-la (segundo). Todos sabemos porquê. Foi por isso mesmo.

   De resto, sei que ninguém perguntou, mas a resposta é: sim, gosto mais da Welty que escreve contos.