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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

   Só soube o que aconteceu em Paris na madrugada de sábado. Alguém no bar tinha avisado um amigo, que avisou um amigo, que avisou um outro amigo; sei apenas que à zona das mesas de matraquilhos pouco mais chegou além do barulho de copos a chocarem uns com os outros. Nem sequer dei conta dos movimentos policiais a poucas ruas de distância: na praça em frente ao meu prédio, contou-me o Shivam, quando fomos comprar a prenda de aniversário. Um absurdo, mais um. Quando cheguei a casa nessa madrugada, vi apenas os esqueletos das barraquinhas do mercado de Natal e fiquei estupidamente feliz ante a perspectiva de ter glühwein à porta. Depois, já de robe, enquanto entrava no quarto com um copo de água na mão, ouvi a notícia. O copo não caiu. E nesse dia, tal como planeado, demos uma festa. De manhã encontrei o Ilya sentado à mesa da cozinha com a cabeça enterrada nos ombros; o Felix passou meio dia ao telefone. Mas às oito da noite as pessoas começaram a chegar. Rimo-nos muito, tiraram-se fotografias, experimentei um rum austríaco medonho. Alguém queimou parte de um pequeno Minion de plástico que o Klim ganhou num Happy Meal, provavelmente também experimentou o mesmo Rum Austríaco Medonho. Entendam: nós não queremos ter medo de outra coisa além da vizinha do quarto andar.

 

Edit: E poucas horas depois de escrever este post descubro que andam a deter suspeitos de terrorismo aqui ao lado.