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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Dreiländerpunkt

   O Dreiländerpunkt é o ponto onde as fronteiras da Alemanha, Bélgica e Holanda se unem. Os curiosos juntam-se à volta do marco de cimento que me chega à cintura e apontam os telemóveis às três bandeiras ali hasteadas. Do alto dos seus modestos 322,7 metros, o Dreiländerpunkt é também o ponto mais alto da Holanda; assim se justificam os cafés e restaurantes, a loja de recordações e o parque infantil desse lado da fronteira. Na Bélgica há um parque de estacionamento; da Alemanha vem o trilho enlameado que nos trouxe.

   Partindo de uma curva na estrada que vai para Vaals, vimos o caminho tornar-se cada vez mais irregular. Subíamos a encosta, mas enterrávamo-nos na lama. O domingo amanhecera brilhante, numa trégua aos dias de morrinha: as nuvens aninhadas no cocuruto das árvores diziam-nos para não nos habituarmos a tanta graça. Passeámos pelas plantações de couves e brócolos; depois vieram as silvas e dezenas de ervas que tentámos traduzir um para o outro.

   Chegados ao Dreiländerpunkt, também nós nos aproximámos do marco de cimento; também nós tirámos os telemóveis do bolso, voltámos a lente em várias direções, e acabámos de frente para o ecrã do aparelho. Na verdade, foi ele quem tirou as fotografias porque eu não sentia os dedos das mãos. Tinha-os dentro das minhas luvas novas, um belo par de luvas roxas feitas para o inverno alemão, mas não para umas mãos portuguesas que até o verão é incapaz de aquecer. 

   Felizmente, são só as mãos.