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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Interlúdio desanimado

   Apanhada no novo, estranho círculo do trabalho-treino-social, versão estrangeira e quase incompreensível (só sei contar até dez, por exemplo), acedo à atualidade portuguesa com o atraso de uma noite de sono. De manhã, encostada à máquina de café, exploro as novas; vou esperando as surpresas, que são poucas ou nenhumas, não tivesse eu vindo para cá há relativamente pouco tempo. Em boa hora o fiz, obrigada pela pergunta. O meu ar desalentado passa bem por cansaço, e desaparece assim que chega companhia. Posso discutir pastéis de nata durante horas; ontem falei sobre o mar do oeste e o vento que nos abraça com mãos grandes e rudes. As pessoas são delicadas, educadas, evitam ao máximo a confrontação — até na forma como se mexem nas ruas, quanto mais nas conversas da hora de almoço. Querem saber apenas das pequenas doçuras. É quando estou sozinha com o café na mão que penso em tudo o resto e suspiro.