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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Não, eu não gosto do Carnaval

   A minha opinião sobre as coisas muda consoante o ângulo do pontapé. Há uns dias, dançava distraída e acertei na coisa com muita força. Aleijei-me, irritei-me, fiquei a olhar para o vulto escuro e mole, a perguntar-me o que raio lhe tinha acontecido. Nada tinha mudado - não fundamentalmente. As pessoas não mudam. Bem sei que passei os últimos anos da minha vida a tentar convencer(-me) de que as pessoas podem mudar, de que essa mudança era mesmo algo inevitável. Peço desculpa a toda a gente e a mim: esse foi outro pontapé mal calculado. Mas não estou chateada; fiquei só com pena. Eu preferia que as pessoas mudassem mesmo, em vez de se adaptarem; de se mascararem nas circunstâncias e fingirem que não estão prestes a vomitar um nado-morto sempre que as olhamos nos olhos; ou de mentirem a si próprias - e, pior, acreditarem nessas mentiras ao ponto de acharem que mudaram. É uma loucura clinicamente aceite; globalmente aceite. Podemos crescer sem perdermos o rosto, não podemos? Por favor, digam-me que sim.