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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Nobel craze

   Como sempre, todos conhecem os galardoados e estão familiarizados com o seu trabalho. Isto é especialmente verdade quando se fala do Nobel da Literatura. Qualquer que seja o vencedor, as pessoas de bem já o leram e por ele atiraram cinquenta cêntimos à fonte. Menos eu. Chego sempre atrasada aos premiados — quando chego. Às vezes nem lhes ligo peva. A juventude ainda me permite romantizar: o reconhecimento em vida tira o charme ao artista maldito, o cheque também.  Os meus autores preferidos nunca ganharam nada. Além disso, confio em sapatinhos de berloque para muita coisa, mas não para me falarem de assuntos tão queridos como o meu útero ou literatura. Ao caráter político de sempre, a Academia soma agora os defeitos das instituições antigas que esperavam ver o Mundo vergar-se perante a sua história. Desde há uns anos, está num estado que é o correspondente institucional da crise de meia idade. Ainda a levamos a sério, mas as calças rotas e o blusão de cabedal dão vontade de rir.