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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

O depois das férias

   Passei dias a acordar por volta das três da manhã com os pesadelos de outra pessoa. Deviam ser pesadelos terríveis mas, na manhã seguinte, só eu me lembrava deles. Quem os sonhava esquecia-se do cenário, dos diálogos; dos gritos. Podia ser apenas um longo gemido, como o último sopro de um animal moribundo; às vezes era um brado hollywoodesco, quase cómico; cheguei a acordar com soluços de pânico que se desvaneciam lentamente na noite. Tudo isto vinha do mesmo gramofone empoeirado, as diferenças vinham do piparote dado para o pôr a funcionar — quem? Não sei. Um demónio qualquer, certamente, feio, mau, insone. Entretanto, os pesadelos pararam (ou tornaram-se silentes), mas eu continuo a acordar quase todos os dias à mesma hora. Fico deitada, à espera de um demónio qualquer, esse ou outro, um que faça companhia aos que já cá vivem, que jogue com eles às cartas; que me deixe olhar bem para a Lua, falar com o homem que vive lá dentro, contar-lhe as coisas todas e, no fim, descansar. Por enquanto, faço sestas.

 

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