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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Siddartha (SWRB #16)

   [Babs, Susana:]    

   Atropelando sem cerimónia os quatro livros do último mês - entre os quais, adianto, se encontra a quase redenção do Roth -, eis Siddartha, clássico de Hermann Hesse que fica bem em qualquer a estante. Esta obra teimava em aparecer em todas as listas de clássicos; um requisito; um quadradinho para preencher; e o que eu quero é ser bem lida, para me tornar num ser humano ainda mais irritante [já que ninguém gosta de mim*, pelo menos que se sintam incomodados].

   A história é simples; pelo menos, tão simples quanto a vida de uma pessoa consegue ser quando limitada a cento e cinquenta páginas. O jovem Siddartha é-nos apresentado ao decidir abandonar o conforto familiar, e o generoso financiamento dos progenitores, para ser uma espécie de monge itinerante, meditando e bebendo água da chuva em busca da… luz? Da paz interior? Do sentido da vida, que é o que todos os jovens (olá!) se sentem impelidos a encontrar nalgum ponto da sua autodescoberta - acho eu; como assim, nem toda a agente é como eu? Em busca de si próprio, pronto. Siddartha erra pela floresta com os seus companheiros jejuantes; conhece o Buda, admira-lhe a doutrina; mas depois conhece uma miúda gira. A culpa é sempre da miúda gira. Por sua causa corta o cabelo, arranja trabalho e enriquece no ofício de mercador. Assim leva a vida por uns bons anos: é um homem rico, é um jogador, é amante de uma boazona; e depois tem uma crise de meia idade; em vez de comprar uma liteira descapotável, decide regressar à floresta. Torna-se barqueiro; envelhece e torna-se também um sábio; descobre um filho que o odeia e abandona; e, finalmente, descobre-se a si mesmo.

   Contrariando a impressão que este resumo imbecil** vos pode causar, digo-vos que até gostei do livro. Não o adorei, não me marcou, não mudou a minha forma de ver a vida, mas gostei de o ler. Entreve-me e relaxou-me. É um livro bonito, agradável, fácil de ler, e com várias passagens que convidam à reflexão, mas sem apelar a um existencialismo exagerado e deprimente. Aliás, achei o tom da obra bastante alegre, como um conto infantil. Simples mas com várias mensagens poderosas e intemporais: percebe-se porque está arrumado na prateleira dos clássicos.

 

* Tenho direito a este tipo de declarações pelo menos uma vez por mês.

** Outra coisa a que tenho direito é à imbecilidade - várias vezes por mês.

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