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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Slaughterhouse-Five (SWRB #12)

   Express Reviews #1

 

   Facto: li três livros diferentes em Dezembro do ano passado. Factoide: em Dezembro, li três vezes o Slaughterhouse Five. Não se tratam de poderes especiais ou desocupação patológica - embora eu não levasse a mal se me mandassem ir trabalhar ou arranjar um namorado. O livro tem menos de duzentas páginas e eu quis perceber porque é que lê-lo era viajar numa montanha russa emocional; porque é que eu podia estar a rir às gargalhadas no meio do comboio para no momento a seguir esvaziar a minha mala na busca de um lenço enrugado que ainda pudesse ser usado para enxugar os olhos [eu não sou nojenta, sou asmática].

   Billy Pilgrim é volúvel no tempo e o leitor vai acompanhando os seus passeios quadridimensionais, do início ao fim da sua vida - porque é assim que Billy leva a sua vida e a sua existência é sempre assegurada nalgum ponto do tempo (so it goes). Dadas as capacidades especiais de Billy, a ordem dos acontecimentos é aleatória, mas tudo é abordado, dos pormenores mais aborrecidos aos mais incríveis; a vida enquanto pai de família; a vida enquanto soldado, e depois prisioneiro, e depois sobrevivente do bombardeamento de Dresden; a vida enquanto atração principal de uma espécie de jardim zoológico alienígena, após mui civilizada abdução.

   É impossível explicar o que é que este livro é. A versão mais aceite é de que se trata de um clássico antiguerra - Vonnegut baseou-se na sua própria experiência durante a Segunda Guerra Mundial - , mas é muito mais do que isso. É sobre a vida, a morte, a loucura, o tempo, o amor, o ódio; é sobre as coisas todas, além da guerra. E é fabuloso.

 

   NOTA: É evidente a minha dificuldade em falar dos livros de que realmente gosto. Perdoem-me, mas o que me aquece o coração e ginastica os dedos com exuburância ímpar é a arte do achicalhanço.