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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Sonhos lúcidos

   Hoje tive um sonho lúcido. Não compreendo quem se abespinha pela promessa dessa suma experiência onírica: vocês são uns idiotas. Para que é que querem ter um sonho lúcido? Acham que é divertido? Pensam que é assim que se montam unicórnios? Não é. Oiçam quem tem anos de experiência no assunto: sim, eu! Garanto-vos que nunca andei na ramboia com fadas. Os meus sonhos lúcidos são todos parecidos. Posso aproximá-los a um videojogo (que tem auto save) com influências de filme noir; mas não pensem que eu sou a femme fatale. Não, sou só uma imbecil muito assustada, a correr de um lado para o outro. É isso que eu controlo, a direção da fuga. Nunca decido o tema do sonho, ou as personagens envolvidas. Vou trabalhando com o que tenho. Ás vezes consigo ofertar-me facas por pretidigistação; ou faço aparecer esconderijos, geralmente caixotes; estou sempre a enfiar-me debaixo de velhas caixas de cartão, como um gato gigante e muito pouco gracioso, enquanto vejo as sombras dos meus carrascos a arrastarem-se pela calçada, longas caudas de treva que terminam em tridentes. Posta desta forma, a experiência até parece engraçada; não o é porque eu sinto-a como se fosse real. Só consigo perceber que estou a sonhar quando acordo - e esse acordar tem que ser definitivo, envolver o som forte do despertador e movimentos verticais; em vez de um despertar semiconsciente onde, se me voltar para o outro lado da cama, adormeço logo. Neste caso, o sonho recomeça no mesmo ponto em que estava (veem? Auto save!) e permanece a convicção de que não é um sonho: a minha cama é um caixote, nas minhas mãos seguro um facalhão de trinchar e está alguém a tentar matar-me. Corro rua abaixo, há poças por todo o lado. Depois, esquerda ou direita? Mesmo decisões destas são extremamente stressantes porque a minha lateralização não foi bem adquirida na infância. Quando me levanto da cama, estou mais cansada do que quando me deitei.