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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

SWRB Update #1

   Comecei a rascunhar uma review d'A Montanha Mágica para logo me distrair com um avião; foi no início do ano, há quinze ou dezasseis livros atrás - e note-se que abril passou sem que lesse um livro inteiro, por razões que se baseiam na mentira universal do não tive tempo. Assim, perpetuando a mentira até me convencer de que a posso levar a jantar, e por razões que assentam no paradigma da utilidade das minhas opiniões na vossa felicidade, fiquem com a lista do que eu já li este ano, seguida de uma curta apreciação, a qual (nunca é demais recordar) carece de qualquer base científica além do eu acho que sim e tenho direito a ter uma opinião sobre. Uma espécie de update do qual vocês (?) necessitam desesperadamente, só que ainda não o sabem.

 

   Animal Farm, George Orwell:

   Sobre este eu ainda escrevi alguma coisa aqui.

 

   A Montanha Mágica, Thomas Mann:

  Eu e A Montanha Mágica (ou eu e um exemplar específico, bem definido no espaço e no tempo, d'A Montanha Mágica) temos uma pequena história cheia de meta-elementos e piadas das quais já ninguém tira o sentido - sabe-se apenas que elas existem, numa neblina. Mais: Thomas Mann escreve sobre a vida de um jovem alemão nos Alpes suíços, e eu, por acaso, também tenho uma história engraçada acerca de alemães na Suíça. Este livro já era um símbolo ainda antes de eu o abrir; e era uma arma de arremesso, e um pisa-papéis, e um volume impressionante, e um certificado de erudição. As expectativas eram muitas e foram todas satisfeitas. Muito bom, profundo, contemplativo, exatamente como subir uma montanha. Demora-se, não só pelo número de páginas, mas também pelas reflexões inter e intra personagens; diálogos carregados de filosofia e política; a autodescoberta de um jovem engenheiro de 23 anos. Não, o livro não é sobre mim; mas se fosse, eu não me importaria.

 

   A Espuma dos Dias, Boris Vian:

  Li-o no fim-de-semana em que fui atacada pela terrível gripe. No sofá da sala, com folhas às quais devia dedicar alguma atenção espalhadas à minha volta; a lareira estava ligada e a televisão falava sobre pão de malte. Tudo reluzia, os comandos pareciam feitos de platina, a voz da minha mãe fazia eco nas colunas e eu respondia-lhe como se arranhasse um bocado de ardósia. Só conseguia mexer os olhos para ler. Quis muito comprar um piano que fizesse cocktails, ter uma ratazana de estimação e até sonhei com um namorado que gastasse o dinheiro todo para me encher o quarto de gerberas (ou só com um namorado, para ser sincera). Adorei o raio do livro. Não sei se sem febre o efeito é o mesmo.

 

   Jane Eyre, Charlotte Brönte:

   Também já falei dele aqui.

 

   Olhem, isto está a ficar muito grande, ainda só vou em janeiro, e tenho xixi - como não estou a correr uma meia maratona, não posso tornar aleatória a decisão de aliviar o esfíncter. Continuo mais logo, quiçá amanhã, e vai ser bom porque eu tenho tenho muita coisa má para dizer do Kerouac. Pois tenho. Beijinhos e golfinhos.

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