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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

SWRB Update #2

   Estou outra vez com o pé assente num emplastro gelado porque me atrevi a usar umas sandálias rasas. Talvez tenha chorado um bocadinho no caminho para casa: a embraiagem do carro é dura, o coração é mole. Vamos continuar.

 

   Uma Coisa Supostamente Divertida que Nunca Mais Vou Fazer, David Foster Wallace:

   Quando eu morrer, e a minha alma for transportada para o lugar mágico onde os mais ilustres espíritos jogam à sueca, vou pedir o David Foster Wallace em casamento; ele vai aceitar, incapaz de resistir ao meu charme europeu-africano-brasileiro (ninguém sabe); e ficaremos lado a lado para todo o sempre, sem o risco de nos matarmos um ao outro durante uma espiral depressiva conjunta porque já estaremos mortos. Não posso acrescentar muito ao que é dito, escrito, falado e regurgitado sobre o ser humano genial que foi DFW. É como se ele estivesse a falar connosco. Tão natural, fluído, simples; certeiro, acutilante; um tipo que vê realmente as coisas. E que escreve as melhores notas de rodapé. E que gosta de ténis.

 

   On the road, Jack Kerouac:

   Este livro é estúpido. Admito que o exemplar veio com preconceito colado à capa, não o consegui arrancar com a facilidade com que arranquei a etiqueta do preço - ato contínuo, inevitável; tento ignorar que os livros são objetos de valor quantificável e que gasto dinheiro neles. Ler isto era quase um pré-requisito; pensava que era apenas um livro daqueles que só fazem sentido numa determinada fase da nossa vida, neste caso na adolescência, que é quando temos autorização para sonhar com viagens infinitas, amores cheios de esperança e outras patetices. Mas não, afinal o livro é apenas estúpido e nem a garota de dezasseis anos que fui teria gostado de o ler. Os personagens principais são o escritor maniento que nos conta a história e um indivíduo cujo transtorno bipolar é ignorado por toda a gente; o primeiro está apaixonado pelo segundo, que vai largando filhos nas estradas norte-americanas como quem larga poias; a paixão não morre nunca, nem quando o encatarinado narrador se vê abandonado na Cidade do México, torcido pelas implacáveis fanicas de caganeira. Uma data de imbecis (porque haviam amigos, e moças coquinadas; que pensam? A cretinice vem em packs-poupança!) com idade para ter juízo. O Kerouac é um poeta, devo-lhe isso, mas este livro é estúpido.

 

   The Shinning, Stephen King:

   Um autêntico page turner, até o temperamento de donzela vitoriana me obrigar a fechar o livro, sob o risco de ter um ataque de ansiedade. Não vejo filmes de terror. Não consigo. São stressores por excelência, e eu tenho muita dificuldade em lidar com o desgaste mental que o suspense provoca. Raios, eu detesto surpresas! É mais isso do que os machados ensanguentados, juro: risco, o desconhecido, a falta de controlo sobre uma determinada situação; a emoção supera o potencial repulsivo do gore com a maior das facilidades. Pensava que com livros seria diferente, que seria capaz de ter uma experiência saudável. Qual quê!, a minha cabeça é muito fraquinha. Ainda assim, gostei muito do livro. O Stephen King tem uma imaginação invejável e é um bom contador de histórias. [Nota: por acaso, vi a adaptação do Kubrick umas semanas depois. Achei seguro: sabia o que ia acontecer; e, afinal, não sabia! Há várias alterações. Sobrevivi.]

 

   E agora vou ler para a caminha, esperando que o amanhecer abençoe o meu pezinho.

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