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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

SWRB Update #5

    Vamos acabar com isto de uma vez por todas.

 

   The Sound and  the Fury, William Faulkner:

   Mais um livro pouco recomendável para 1) quem procura uma leitura fácil e se sente desencorajado por personagens que confundem presente e passado, dando à narrativa um carácter muito pouco linear (Olá, Benjy!); 2) quem tem tendências depressivas com as quais não sabe lidar e 3) gente impaciente. É uma história triste - não, é uma história horrível, dura e crua, de expulsar quimos: incesto, suicídio, racismo, misoginia, todas as coisas feias que compõem aquela parte da humanidade que nos revolta. Gostei muito, portanto - o que eu quero é livros que me deixem mal disposta. No fim, fiquei com a sensação de que me escaparam dezenas de detalhes: é aquele tipo de obra à qual se deve voltar mais tarde, reler uma e outra vez, e mais outra vez.

   [Agora lembrei-me que devia reler o Under The Volcano. Fica para …o… verão?]

 

   Os Cadernos de Dom Rigoberto, Mario Vargas Llosa:

   O livro é bom, eu é que descobri não ter paciência para mais erotismo sul americano. Não tenho problemas em ler sobre sexo, só desgosto do excesso de sentimentalismo. Pelo menos, acho que é por isso que andei abril inteiro com o dito livro às costas, sem ter grande vontade conhecer a fértil imaginação de Dom Rigoberto ou as frescuras da sua esposa boazona.

 

   A Obra ao Negro, Marguerite Yourcenar:

   Já não lia ficção histórica há muito, mas muito tempo. Não desgostei, mas foi como aquelas séries que vejo quando estou a passar a ferro ou a arranjar as unhas: estão lá para me dar a dose de entretenimento necessária para tornar a tarefa menos enfadonha. São satisfatórias para esse propósito, assim como A Obra ao Negro me foi útil nas viagens de comboio.

 

   A Herança de Eszter, Sándor Márai:

   Mas então o Márai está sempre a escrever o mesmo livro? Eu gostei, é o género de livro que se lê bem, sem comprometer; é bonito e isso tudo, mas fiquei com a sensação de já ter lido mesma história noutro lado. Aristocratas húngaros caídos em desgraça recebem a carta de uma antiga relação - a qual é responsável ou em muito contribuiu para a desdita dos anfitriões - decidida a quebrar um prolongado jejum comunicacional com uma visita cheia de reflexões acerca da passagem do tempo. Desconheço se a fórmula está patenteada.

 

   Disgrace, J. M. Coetzee:

   Li-o num dia. Há algum tempo que não lia um livro inteiro num dia, e quando peguei neste não achei que tal fosse acontecer. Mais um livro acerca de um tipo em plena crise de meia-idade que decide enrolar-se com uma miúda de vinte anos, pensei eu. Sei como me precipito nos julgamentos, por isso continuei a ler. Ainda bem. O caso amoroso corre mal e é apenas o início de uma série de infortúnios, um passeio pelo lado negro da natureza humana. Muito bom. Outro livro contraindicado para almas sensíveis e cor-de-rosa.

 

   E pronto, foi estes foram os livros dos últimos meses. Novidade acerca do Roth (sim, sou capaz de engolir algumas coisas que disse) dentro de umas setenta páginas - ou quando me apetecer.