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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Todos os dias são dias de chuva

   Tornei-me imune ao inverno que as minhas avós temem e pelo qual rezam. Foi como habituar-me a tirar os sapatos sempre que entro na casa de alguém. Escolhem-se as meias com mais cuidado; aceita-se o frio e o tom cinzento das coisas.  Seja chuvinha-molha-tolos ou borrasca apocalíptica, aqui ninguém se importa e os guarda-chuvas são uma raridade. Se entre aquelas duas nuvens cinzentas que correm até à fronteira há uma fresta de luz amarelada, então temos manhã para levar os miúdos ao parque. A eles, aos miúdos, vejo-os de botas molhadas: as pneumonias não apoquentam ninguém. A manhã de domingo traz  vento forte, o céu promete tempestade, mas ainda assim vejo as famílias a passear na rua. Começa a chover: parece que ninguém foge para casa a menos que caia pedra. E eu sou só mais uma a correr entre as poças. Num treino longo, cumprimento mais pessoas aqui, com este triste tempo, que na primavera solarenga do sul. E a diferença quase me envergonha.

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