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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

1960

   Ligo a televisão para ter companhia durante a manhã. Não me apetece fazer nada, só comer laranjas no sofá, à luz do televisor. A voz dos apresentadores do programa da manhã vai-me enchendo os ouvidos, mas não consigo perceber o que eles dizem. Acabo de comer a laranja e tenho o sumo a escorrer pelos dedos quando faço a primeira tentativa de entender a origem das gargalhadas e do histerismo. A sala transformou-se numa laranja gigante e eu tento desprender-me do odor que encolhe as paredes e me põe tonta. Sou só eu a querer sair de mim. Vejo o apresentador a fazer perguntas às senhoras da plateia. Quer mandar beijinhos? Todas querem mandar beijinhos. Os filhos estão longe, os irmãos estão longe, os primos estão longe. Está toda a gente longe.

   Vou comer outra laranja.