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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Eyeliner

   Um dos meus métodos de procrastinação preferidos passa por fitar uma parede e deixar os meus pensamentos esborracharem-se nela. É um bocado como a experiência do Rutherford com as partículas alfa, ou como atirar tomates maduros contra um muro. A verdade é que este passatempo tão simples ajudou-me a concluir que a projeção das minhas aspirações literárias no Despesa Diária deixa este espaço disponível para fazer dele o que me apetecer.

   Posso, por exemplo, discorrer acerca do novo eyeliner da Benefit, o Santo Graal dos cat eyes para toda a vulvinha histérica, menos para mim. Não procuro honras de alma contraditória; acredito mesmo que o They're real push-up liner há de ser uma valente merda.

   Argumento número um: gastei os devidos cobres na máscara They're real e garanto que as minhas pestanas ficam completamente real quando a aplico. Nem mais encaracoladas, nem mais compridas. Rezando ao pai, ao filho e ao espírito santo, torturando os pelitos com um enrolador de pestanas durante dez minutos e passando outros dez minutos com a varinha empapada em tinta preta a cobrir as pestanas uma a uma, aí sim, sou capaz de obter um resultado remotamente parecido com o que a embalagem vende.

   Argumento número dois: o extraordinário push-up liner é lançado juntamente com um removedor de maquilhagem específico. Isto leva-me a crer que deve ser mais fácil remover uma tatuagem que limpar dos olhos aquele gel. A alternativa à forretice de não comprar o raio do removedor é mimar a pigmentação facial de um panda durante duas semanas.

   Argumento número três: PUSH UP liner. A malta do marketing da Benefit, que até à data sempre primou pela genialidade, andou a ensopar os tampões em aguardente. Para push up já me bastam os soutiens mega almofadados e vamos-fazer-de-conta-que-herdei-as-maminhas-da-minha-mãe-e-não-as-do-meu-pai. Fiquemos por aí.

   E agora que pisquei o olho a uma das minhas marcas de maquilhagem de eleição (por favor, tentem provar que estou errada!), resta-me terminar com o anúncio de uma descoberta feita há dois segundos atrás: a sensação de escrever um ensaio aldrabado sobre uma temática irrelevante é deveras libertadora. Pronto. Acabei de justificar a existência de oito nonos da blogosfera.

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