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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Pastilhas

   Lembrei-me - ou fui gentilmente recordada por uma pessoa - que se tivesse um euro por cada pedido para escrever letras… bem, devia ter uns cinco euros. Peço desculpa, a quantia parecia bem mais generosa na minha cabeça. Se eu experimentar convertê-la em pastilhas Gorila, talvez a coisa se componha: se tivesse um euro por cada vez que me pediram para escrever letras, teria… as pastilhas Gorila ainda custam cinco cêntimos? Se sim, teria cem pastilhas Gorila. Não sei até que ponto isso me seria útil, não são de todo as minhas pastilhas preferidas -  houve uma altura da minha vida em que a classificação das pastilhas elásticas era de suma importância para o meu bem estar; tinha-as arranjadas numa lista mental e esses retângulos brancos estavam no fundo de tudo. Não percebo porque é que as pessoas compram aquelas pastilhas: são demasiado rijas e o sabor perde-se em dois bailes de língua. Mas não é sobre a falta de empatia que sinto pelos apreciadores de pastilhas Gorila que me quero debruçar - as pastilhas eram só uma medida mais impressionante que o dinheiro.  O que eu quero dizer é: não me peçam para escrever músicas. Não sei fazer isso. C'um caralho, já nem escrevo poesia; como é que isso se faz? Precisava de voltar a ter borbulhas e menstruações irregulares, almoçar maçãs e ler mais autores sul-americanos. Nem um miserável haiku consigo escrever. Por isso, não me peçam para escrever letras. Por favor. Não me obriguem encarar as minhas capacidades perdidas.

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