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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Lemmings e outras notas

   O Caderno está quase a fazer um ano (a nota inaugural data de 6 de agosto de 2014). Começou por ser uma brincadeira: descrições tolas escritas no comboio, no jardim, nas salas de espera; como a imaginação precisasse de um suporte para se tornar numa companhia convincente, o pensamento passado a punho era a melhor forma de aplacar a solidão. Mas, a certa altura, a vida começou a acontecer e passei para notas sobre gente com nome, e mais tarde para as observações autobiográficas. Sem querer descobri de onde nascem os diários e agora ai de mim se perco o Caderno - ou ai de mim se mo encontram e mo leem. Claro que há coisas engraçadas, coisas que não comprometem:

 

15-09-2014

   «Na verdade, isto é tudo mentira.»

 

29-10-2014

   «(…) Estar sentada num banco de jardim com este caderno no colo é provavelmente a atividade mais pedante de todas; (…) pouco me falta para desenhar gladíolos - não que aqui hajam gladíolos, só me lembrei deles porque têm um nome engraçado. Agora que penso nisso, o nome faz lembrar o barulho dos perus quando veem o dono aproximar-se com o milho.»

 

26-02-2015

   «A. senta-se nos sofás de pele. Cruza a perna direita sobre a perna esquerda: estuda o movimento do pé, sincronizado com o coração. O pé é muito importante porque o coração há muito deixou de ser sentido. Em todos os momentos desde que o coração deixou de ser sentido, A. procura provas do seu funcionamento.»

 

13-04-2015

   «Querido diário, o tacho da feijoada explodiu.(…)»

 

24-04-2015

   «Lemmings

 

   A porta do comboio não fechava.

   Pensei naquilo outra vez?

   A porta do comboio não fechava.

   (Vinha um vento bom da porta.)

   Pensei naquilo outra vez.»

 

   A partir daqui, fica tudo muito pessoal.

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