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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

   "Os amores sem esperança nunca terminam."

   - Sándor Márai, A Herança de Eszter.

 

   O que é que eu pretendo com esta citação? Nada, foda-se, isto não é tudo sobre ti; na verdade, quase nada é.

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   A vitória pessoal da manhã foi encontrar um lugar sentado no comboio, ainda que ao lado de um indivíduo cujo perímetro abdominal superaria o meu abraço - e eu não sou de curta envergadura. Importava apenas relaxar num assento e ler o meu livro. Ser preguiçosa, prevenir varizes. Não me sinto cansada, só tenho os fletores das ancas doridos - se não tiver algum cuidado começo a andar à homem; adianto até que a minha recuperação física teve a duração de meio frango assado, com arroz e salada porque eu não gosto de batatas fritas. Para o provar, existe a birra que fiz no caminho para casa: vamos ao Porto, vá lá, 'bora passar pelo Porto, eu nunca fui ao Porto, leva-me ao Porto. Descobri assim que, depois de corrermos uma meia maratona, as pessoas aceitam os nossos pedidos com outra disposição; podem estranhar que queiramos passar a tarde a caminhar, lembrando-nos que passámos a manhã a correr com um calor infernal, a levar com banho de mangueira, e talvez a fazer xixi nas pernas*, mas cedem.

   Portanto, fui pela primeira vez ao Porto como recompensa por ter voltado a fazer um tempo de merda numa meia maratona oficial, conquanto esse tempo tenha sido seis minutos inferior ao de há menos de dois meses atrás. O mais correto seria galardoar-me com um par de estalos e não me deixar comer gelado ao jantar: deviam ter sido menos dez minutos; mas isto sou eu, e eu acho que tenho a obrigação de ser perfeita e de fazer as coisas como as vi em sonhos logo na primeira tentativa - ou, neste caso, na segunda. Não me liguem. Ainda tenho que aprender a participar em corridas [ou quiçá a existir de um modo eficiente e menos autodestrutivo]. Dêem-me uma distância qualquer para correr: chamem-lhe treino e eu corro-a toda feliz e contente, no fim até pergunto se não posso continuar; preguem-me um dorsal às bimbas e eu perco o controlo sobre a minha bexiga.

   Pelo menos, tenho um bronze invejável nas pernas; e, ou acertei finalmente na quantidade de vaselina a barrar nas coxas, ou os portentos de outrora deixaram de roçar um no outro. Corra, devore bifes (muito) mal passados e engula bastas colheradas de leite creme à sobremesa, mas emagreça na mesma.

 

*Eu sou muito hardcore. Queridos, se querem princesas, procurem noutro lado; ou procurem-me quando eu não estiver a meio de uma prova, mas sempre sabendo que eu sou o tipo de gaja que não receia os processos fisiológicos, nem permite ser atrapalhada por eles.