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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

(...)

   Eu nunca pertenci totalmente ao meu corpo. Às vezes olho ao espelho e cumprimento uma estranha. Uma miúda bonita que se vai tornando feia à medida que o sentido de identidade preenche os espaços; um balão que sobe, levando consigo a realidade. O eu é um parasita alojado nestas mãos - não são minhas, não são de ninguém; são das estrelas, talvez. Há mais de mim no ar que respiro do que nos pulmões que dele se enchem. Sou um arranjo de emoções, e vivo nesse que é o lugar onde as coisas mentem; as coisas que pregam a sombra e o desespero, mas também a magia; o lugar onde se ensaia a morte para compreender a tudo o resto. É uma vida rica, pena que precise de um corpo para existir - deste corpo que vou alugando todos os dias; o corpo que maltrato; o corpo que visto e pinto; a ferramenta.

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