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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

   Terminei as limpezas há quase duas semanas, mas como o evitamento é uma forma de vida - a minha forma de vida -, tratei logo de torcer o pé esquerdo. Fiquei deitada durante dois dias, pé no ar e computador no colo. Para não ficar de nádegas roxas, fui fazendo pequenas pausas nas quais ou ia à casa-de-banho em pé coxinho, ou ia buscar bolachas em pé coxinho. Também aproveitei para ir ao cabeleireiro em pé coxinho, mas estiquei o cabelo sentada. Ao terceiro dia, levantei-me e fui correr; passei a semana seguinte a correr.

   Sinto-me bastante cansada, física e emocionalmente. No domingo parei o treino a meio para me esconder numa vala e chorar durante um quarto de hora. Encolhida entre as canas, o lixo, as teias de aranha; passearam pelas minhas pernas as formigas, deixei as melgas decorarem os meus braços. Depois levantei-me, sacudi as ervas dos calções húmidos e acabei o treino, nem sei bem como. O que sei é que passei a tarde a dormir. E a noite. E a manhã do dia seguinte.

   Só ontem comecei a dizer às pessoas que me ia embora depois de correr a maratona. Algumas não sabem que, se quisessem, podiam ter-me feito ficar, e que eu lhes estou muito grata por não o terem feito.