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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

A corrida 2.0

   Quando o meu pai me liga, a primeira pergunta que faz é "tens corrido?". O meu pai sabe que questionar-me acerca do meu plano de treinos é a forma mais eficaz de perceber se eu tenho andado a dormir bem ou se voltei a partir loiça. Para descanso do velhote, desde que curei a constipação de boas-vindas que recomecei a trotar por aí. Já corri em dias (e noites) de temperaturas negativas: dez minutos bastavam para perder a sensibilidade nas mãos, mesmo estando a usar luvas; aos vinte começavam as dores nos dedos. Também já experimentei correr no meio da neve. É muito bonito, e graças ao excesso de zelo desta gente, que logo ao primeiro floco trata de barrar a estrada com sal, o piso não fica muito escorregadio.

   Antes, estava habituada a correr de manhã. Agora corro em qualquer altura do dia. Aproveito a hora de almoço para séries, porque o terreno à volta é plano e não há sinais de trânsito. Noutros dias, passeio pela cidade à noite e teimo em incluir no trajeto a passagem por este grande ginásio junto a uma das entradas da cidade. Os grandes vidros mostram uma fila de passadeiras, sempre cheias ao final do dia. Eu venho da esquerda; aumento a velocidade e a elegância da passada. Iuhh-uuuh! Ei, olhem para mim! Venho do sul (a forma totalmente irresponsável como ignoro as cores dos semáforos denuncia-me) mas tenho coragem para correr na rua!

   Faço corridas mais longas ao fim-de-semana. Bem, foi só uma desde que regressei. Fui até à Holanda, e na volta passei pelo estádio, pela esquadra da polícia, pela estrada por onde regresso à cidade todos os dias de autocarro. Planeio traçar uma série de circunferências à volta da cidade. Vou onde me apetece, volto à hora que me apetece: estou por minha conta (e por conta da festas que me vão aparecendo na agenda).

   Portanto, paizinho, hei de correr pelo Carnaval adentro.