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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Interagindo

   Há dias perguntaram-me se os ginásios eram um local de engate. Neguei tudo porque ignorava a chegada do dia em que me tornaria elegível para participar numa tragédia desse nível. Tomei-me como o modelo predefinido de gaja durante um treino, pensei na minha cara vermelhusca, no padrão cómico do suor nas calças; e achei a ideia disparatada. Vou frequentemente ao ginásio desde os tempos em que ainda esperava por um surto de crescimento nas maminhas e nunca considerei o potencial sedutor de um agachamento - aliás, no espectro dos agachamentos, não há um que não seja ridículo, todos parecem técnicas de defecação pública. Claro que só compreendi o que tinha acontecido quando cheguei aos balneários: por defeito, eu só percebo que estou a ser alvo de interações românticas se mo explicarem com diagramas coloridos - passo muitas vezes por difícil quando, na verdade, o meu problema é não fazer ideia do que está a acontecer; se a esta falta de noção juntarmos a localização insólita, então falar comigo é como discutir com uma criança que acabou de descobrir o poder dos monossílabos. Então, só sabes dizer não? Sim. É complicado ultrapassar a barreira do grunhido enquanto se tenta levantar a perna, mais os nove quilos que lhe estão presos. O engate em ginásios deve valer apenas pelas endorfinas. Tudo me parece bonito depois de hora e meia a ranger os glúteos: é um fenómeno semelhante ao dos famosos beer goggles. Se me perguntarem se o tipo era giro, eu não vou saber responder. Estava dopada de alegria, até a loira com cara de gastrite da receção me parecia atraente.