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Curral Quântico

We are no longer the same, you wiser but not sadder, and I sadder but not wiser (...)

Só mais um, vá lá:

   À tragédia de estar envolvida no Comité de Limpezas do Número Cinquenta e Dois pela primeira vez em vários anos - no início excluíam-me as alergias, mais tarde as ausências estrategicamente planeadas - acresce a dificuldade de desempenhar as funções que me foram delegadas usando apenas a mão direita. Na última quarta-feira, escorreguei nos primeiros metros de um trilho particularmente duro. Não escorreguei por alguma razão em particular: aquela merda era inclinada e eu vinha a saltitar como quem acha que os azares só acontecem nas descidas [curiosamente, ainda não caí numa descida]. Para não vir de beiços até ao início do caminho, arrastando comigo os que seguiam atrás de mim, agarrei-me à vegetação. Tive sorte, que as pernadas eram robustas. Só mais tarde, já no cimo do monte, é que reparei que aquelas eram pernadas de silva, e que, em vez de amoras, tinha um valente lanho na palma da mão esquerda. Ora, como a ocorrência foi registada no início do treino, lavei a ferida com água e segui caminho sem me preocupar com a profundidade do corte, muito menos com a possibilidade de o emporcalhar. Claro que, quando cheguei a casa, trazia a ferida tão cheia de terra que parecia apenas uma linha desenhada a marcador castanho. Lavei-a o melhor que pude, desinfetei-a; disse muitas palavras feias e fui pouco apologética para quem acordou com os meus urros; e rezei para que a patinha não infetasse, gangrenasse, rebentasse em confettis de chicha. Três dias passados, acho que não viro maneta, mas isto dói mais do que se suporia para um simples rasgão de silva. Especialmente quando pego no pano do pó.

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